Todo mundo sorrindo

 

Eu cheguei la no ponto de ônibus à tarde depois que eu terminei o meu serviço,eu já estava vindo embora pra casa.Tinha la algumas poucas pessoas também esperando o ônibus,eu cheguei e falei boa tarde!.As pessoas responderam sorrindo boa tarde, eu achei interessante a atitude daquelas pessoas e eu sorri também.

 

Logo veio o ônibus e nós embarcamos todos descontraídos, alguém ainda esboçava algum sorriso.O ônibus andou duas quadras surgiu uma creche, e era hora da criançada também voltar pra casa, então havia muita criança no pátio da creche aguardando os pais, e eu olhando assim vi um bebe de dois anos mais ou menos se desmanchando em gargalhadas.E ele rolava no chão de tão hilariante que estava. As tias também sorrindo despediam os pequenos com aquele carinho de mãe.

 

E nós seguíamos no ônibus e em cada ponto que parava subia mais e mais passageiros e todos com ar de quem estava muito alegre naquela tarde com sentimento de muita gratidão a Deus estampando um sorriso no rosto.La na última poltrona bem no canto esquerdo do ônibus eu notei a presença de uma criatura humana que se destacava por suas contínuas risadas.Ele olhava assim de lado e se desmanchava em gargalhadas daquelas dobradas e redobradas.Eu observei que ele até esboçava algum esforço no sentido de se conter, mas, não conseguia segurar e se explodia em novas e prolongadas gargalhadas.

 

Chegamos ao terminal do CPA 1 aquele rapaz desceu do ônibus eu prossegui para o centro já pensando que tudo teria acabado, ledo engano; entraram duas moças no ônibus acompanhadas de um senhor de boa aparência que parecia ser o pai delas.Elas também estavam bem vestidas, uma portava saia e blusa a outra estava usando um vestido branco muito bonito por sinal.Elas conversavam com aquele homem em estado de euforia, ele também sorrindo como quem estivesse passando por júbilo sem par nem percebiam que pudessem estar sendo notados.

 

Eu já estava até incomodado com aquela situação, eu pensei até em perguntar para alguém o motivo de tantos sorrisos naquele dia, para todo lado que se olhava via gente sorrindo e caindo em gargalhadas.Desci na praça para tomar o ônibus do meu bairro estava acontecendo la um comício.O candidato em cima do palanque com o microfone na mão sem poder falar esperando o povo se conter das risadas que estavam no momento.

 

Ele foi um pouco impaciente neste momento disse assim: senhores e senhoras!..aí que explodiu outra estridente gargalhada que ecoava por todos os cantos da praça.Eu cheguei perto de um moço assim que parecia ser um cabo eleitoral ele estava sorrindo também, eu perguntei para ele qual seria o motivo daquelas algazarras todas ele me disse assim: não sei eu vi o povo sorrindo e comecei a sorrir também.

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O TEMPO BOM CHEGOU

 

Os bons tempos chegaram e o primeiro que saudou as boas novas foi o sabiá. Era o mês de agosto ainda quando se ouviu o sabiá cantando um cântico novo sinalizando que aquela sequidão característica do verão acabou; os dias frios passaram, o calor seco do verão foi embora.

 

Justamente no dia em que o sabiá despertou-se a cantar o seu canto tradicional foi que começou o tempo das águas. A chuva do caju chegou!Veio um vento impetuoso, não exatamente uma tempestade. Algumas árvores tombaram-se ao chão.Em outros lugares destelhou casas,não foi um estrago avassalador.

 

Mas trouxe uma boa notícia:o tempo das chuvas chegou,chuvas de bênção,chuvas de bênção!Até o anu branco que estava esquecido também em bandos já passou cantando. As árvores de ipê já floresceram. A primavera já chegou.Descortina-se um novo amanhecer.Os sapos coaxam la no brejo.

 

O camponês já preparou as terras para o plantio.As flôres do ipê estão bonitas desabrochadas irradiando vida.O tempo bom chegou!Aquele céu bonito cor de anil que só era intercalado com as névoas secas do estio agora é de nublado a nublado prenunciando chuvas.

 

O arco-íris também já foi visto la no céu.É mais uma prova que o tempo das águas já chegou.Em certas ocasiões um halo luminoso circunda o sol e a noite vê-se na lua.O povo antigo já dizia;nova trovejada é trinta dias de terra molhada.A boa mandioquinha é plantada na nova de outubro.

 

Os vaga-lumes já começaram aparecer,as cigarras cantam la no cerrado.As primeiras sementes são lançadas agora.Em dezembro já tem muita novidade no sítio.Muita melancia bonita e suculenta.Milho verde para assar na brasa e comer muita pamonha.

 

A dona de casa sabe preparar um bom coral ao sabor de canela e erva-doce.Os bons tempos já chegaram.Daqui a pouco aparecem as tanajuras.As lâmpadas acesas ficam rodeadas de mariposas.

 

Também tem muriçocas, cuidado!,o camponês usa um cachecol para se livrar dos mosquitos e abelhas lambe-olho.Nas roças ainda é visto o teiú.A saracura canta aos pares la na aguada.A seriema canta ao longe la nos campos.

 

O jaó,a perdiz,o nhambu,o urutau,todos la bem longe.Mas aqui bem pertinho em cima das nossas cabeças canta alegre o sabiá! Quando entra janeiro ele para de cantar,vai cuidar do compromissos que fizera antes,é outro ciclo na sua vida.

 

Mas tem outros pássaros que ainda cantam.As andorinhas aos milhares veraneiam por toda parte.O tiziu nos arrozais faz a festa.Os papagaios no milharal dão prejuízo,é preciso colocar um espantalho para afugentá-los.

 

Na cidade não tem nada disso,é só correria.Até uma penca de bananas tem que ser comprada,é tudo no dinheiro.Na cidade todo tempo é um só,é só tempo de carregar pedras.Mas na roça vem o tempo de colher.Os bons tempos já chegaram!

 

 

publicado por Quero Ler às 11:05