ASDRÚBAL A CAMINHO DAS ÁGUAS

Esse fato que eu vou narrar aqui deve ter acontecido pouco antes da última glaciação há quarenta mil anos atrás.

Num ano em que deu uma seca prolongada, e então a água potável ficou escassa, as distribuidoras de água mineral ficaram sem estoque e quem tinha poço em casa também já estava sem água apesar de ter aprofundado as cisternas várias vezes.

E, a água dos rios serve como recurso de última hora, mas não é uma água pura e saudável.

 

Era sabido que não muito distante da cidade ainda tinha la na entrada do pantanal uma fonte d’água cristalina que pertencia a união.

Era uma distância longa para ir a pé, mas, para quem quisesse saborear uma água pura e saudável valia à pena se sacrificar.

Então Asdrúbal pôs-se a caminho levando como recipiente dois baldes de quinze litros atrelados num cambão.

 

Alguns minutos de caminho ele avistou na sua frente um homem ancião que também parecia ir em busca do precioso líquido.

Então eu; "disse Asdrúbal"apertei o passo para alcançá-lo, vi que era uma pessoa humilde e simpática e não demonstrava preocupação nenhuma. Dizia Asdrúbal: como é que veio acontecer esta sequidão histórica heim?Ele só respondeu isso: são coisas que acontecem.

 

A trilha era conhecida, Asdrúbal já havia passado por ela algumas vezes antes. Ele porém não sabia que o fazendeiro tinha construído uma cerca de arame farpado que cruzava o caminho impedindo assim a passagem pelo meio da invernada.

 

Nós seguimos ladeando a cerca e para retornar á trilha nós tivemos que passar num cantinho da baía de chacororé e nas águas do pantanal tem piranhas, o ancião me disse: tudo o que você for fazer na vida estando carregado de medo e dúvidas não da certo, desligue-se deste mundo e vamos em frente. A água da lagoa estava límpida e  serena e  dava   pra gente enxergar os cardumes de piranhas e jacarés mas nada disso nos aterrorizou.

 

Do outro lado ainda tinha alguns metros de terreno encharcado que estava infestado de cobras das mais venenosas como jararacas, urutu, cascavel, coral, entre outras, que metiam medo, mas, guardando os conselhos  do amigo passamos também por   mais este obstáculo sãos e salvos.

 

 A trilha atravessava um trecho de cerrado com algumas moitas de lixeiras e outros arbustos entre os quais avistamos a temida onça pintada bem pertinho de nós.

Eu com aqueles baldes nas costas estive a ponto de desistir, mas pensei comigo mesmo:se  eu voltar de onde estou eu vou perder toda a caminhada até aqui e  vou correr  os mesmos perigos que  já  passei sem realizar o meu  intento. O ancião me confortou  dizendo:não vacile, confie somente.

 

Passados estes perigos já estávamos mais próximos do destino, porém quando avistamos as rochas de onde fluíam as desejáveis águas cristalinas ainda enfrentamos mais uma ameaça:

Era uma feia tempestade que se formou repentinamente do lado do levante e parecia vir acabando com tudo.

Relampejava continuadamente, o vento era terrível, formou-se um gigantesco tornado ao nosso lado, começaram cair uns pingos aqui outros ali. Nós caminhávamos seguros de que chegaríamos a tempo de nos livrar daquela tribuzana.

 

O amigo de todas as horas me confortava com suas palavras sábias: todo tempo ruim passa e depois vem à bonança. Segui meditando o quão sábios  são   os homens experimentados.

Um clima extremamente agradável nos envolvia agora, as rochas das águas cristalinas e transparentes estavam a nossa mão. Eu subi numa pedra grande e alta donde olhando para o céu eu via um esplendido arco-íris, a alegria era tal que parecia nunca ter passado tempo ruim.

O ancião eu não o vi mais.                                             

 

 

publicado por Quero Ler às 20:05